Segunda-feira, Julho 14, 2008
Mapas
Porque há algo que aperta o braço, no teste de paciência e habilidade de ser imóvel nas horas mais impróprias do dia. Entre o cheiro de algo novo e as roupas mofadas no varal, uma tênue semelhança entre os dias que passam. Percebe-se como o branco vai se desbotando das caras e camisetas, revelando trilhas que levam ao mais inesperado segredo das coisas: o curtume dos hábitos e a epifania de saber distinguir as coisas pelo tempo de uso. Expectativas e frustrações saindo do mesmo pote guardado no alto da estante. Déjà-vus seqüenciais, no código-fonte de toda folha de papel. Planos, todos os desejos e todas metas da metade do ano. No fim das contas o que se aparenta são os espaços e branco entre as palavras escritas, formando cânions e labirintos onde as pretensões ficam escondidas esperando alguém que as encontrem com lupas e impressões digitais. Já que no fim de tudo a comunicação entre um ponto e outro queda perdida ou distorcida entre as entrelinhas.
Por Filipe - 11:41 PM
Das coisas que os outros dizem:
Quarta-feira, Julho 02, 2008
Vinte e Três
Entre sons e ruídos inaudíveis, ponteiros alinhados perfeitamente, grãos de areia, pilhas de papéis, latas de lixo, frestas nas paredes, gotas de suor, esparadrapos, flechas quebradas ao meio, teclas arrancadas, unhas roídas, roupas velhas, bilhetes de cinema, lenços de papel, copos quebrados, estalactites, sacolas plásticas, sachês de chá, pontes, pedras e perdas, ganhos, garrafas, latinhas de refrigerante, medos, ebulições, termômetros, óculos, dentes, partes perdidas de canetas, apontadores, grunhidos, lâmpadas, discos, poeira acumulada, horizontes gravados na memória, louças, fotografias, casacos pendurados, pastas, pistões, janelas, ladrilhos, frases soltas, toalhas, pacotes abertos, pêlos em queda, rugas, rastros de sapato, meias sem par, jornais, espelhos, atrasos, notas acumuladas no fundo da mochila, feridas, feriados, preocupações, camas arrumadas, livros na estante, frascos quase vazios, violões, estados de espírito pendurados no armário, canudos, espinhos, e pensamentos perdidos... tem alguém tentando achar um caminho.
Por Filipe - 1:35 PM
Das coisas que os outros dizem:
Terça-feira, Junho 24, 2008
Jogos
Porque o Universo deveria de alguma forma manipular os resultados afim de equilibrar as forças e empatar os embates dos oponentes da vez. Mas, assim não o faz. O que resta é usar forças (físicas, intelectuais, qual seja) e habilidades para se impor sobre os adversários. Lutar e prevalecer, mesmo que simbolicamente, o que desafia. E tudo aqui é simbólico: lutar sem a necessidade de matar, se armar de estratégias e esquemas para atravessar campos, tabuleiros, folhas de papel. Simbolicamente, defender as cores de um time, um país inteiro. As guerras travadas com mãos, pés, tacos, armas ou peças minúsculas. Os momentos antes do início, quando a adrenalina percorre veias e membros, olhos fechados ou música para concentrar - e o tênue limite entre ganhar e perder depende da capacidade de concentração. As mãos dadas durante a execução de um hino nacional, de um grito de guerra. Ou o silêncio de quatro paredes, as mãos ao joystick e um adversário virtual, do outro lado da tela. A aleatoriedade de uma aposta, e a emoção de um sorteio. Sangue, suor, lágrimas. O esforço para alcançar limites, superar dificuldades. As palavras dóceis da vitória ou a dificuldade de ser eloqüente na derrota. De qualquer forma, mesmo quando se evitam as competições, a vida é um jogo. Alea Jacta Est.
Por Filipe - 2:39 AM
Das coisas que os outros dizem: